quinta-feira, 8 de julho de 2010

Folhas mortas no jardim do éden

Natal, 08/06/2010.
Aos poucos, as folhas que reluzem vida nos galhos das árvores e fazem sombra para a esperança se desesperam e se desesperam ... enternecem-se da luz que vai se esvaindo e apontam para o cansaço que ronda as rondas das noites ... e com elas o cansaço apronta afronta as esperanças desesperadas dos desesperados que esperam a vida não passar .... mas que passa de qualquer maneira... em passos largos que causam descompasso pelo caminho de pedras que a vida construiu á frente daqueles que se dizem esperançosos.
Assim é que, vividas de vida, se desvidam e duvidam da possibilidade de prosseguir galhos verdes colados e se descolam para beijar o chão, ainda verdes, cheias de esperança de que uma gota de orvalho as sustentem de oxigênio e hidrogênio em quantidade suficiente para não se tornarem deficientes ... ou delinquentes ou dementes ...
No chão, esperança terra, as esperanças se desesperam com a osmose que inexiste na terra que as sustentou e, agora, as suplanta ... e vão, aos poucos recebendo o sol que era luz e agora se torna chama que queima ... que arranca delas as mínimas energias que ainda contém ou detém e, por isso, sentem-se descontínuas: lascivas folhas esperançosas sem esperança de sobreviver a inexistência da água para lhe molhar as têmporas e fazer com que os temperos da vida se tornem menos amargos na subsistência vil, ao chão ... mas subsistem ou subexistem na desesperança de esperar que o desespero se desacelere e possa, aos poucos, esperar ...
Que passe:
A dor,
O rancor,
O calor,
O amor ...
E ele, o amor, continua a subsistir entre as folhas agora mortas que recobrem o solo fértil e se solidificam húmus necessário para a continuidade daquilo que foram outrora e, por magia da natureza, retornarão a ser (ou a não ser), mas serão de qualquer maneira ...
Mortas folhas no jardim do éden esperam que o tempo, que sabe passar, passe e leve a dor que seus pequenos corpos enrugados e amarronzados pela falta de água se tornem novamente folhas .... mas a dor de ter passado pela queda e ter beijado o solo que lhe negou osmose de vida existirá para a vida toda, ou para toda a vida, mas, mesmo assim, vivida.
... em doses homeopáticas.

Um comentário:

  1. "E ele, o amor, continua a subsistir entre as folhas..."
    Subsistir?

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