quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Vidas cheias de razões rasas

Natal, 03/08/2011

Disseram-me que haviam dito que diziam que a solidão é que faz bem ... e que que alguém tinha cantado que tudo queimava e nada aquecia ... e tentei escutar, tentei escrutar, tentei perscrutar e só consegui compreender quando pude auscultar ...
Tive de auscultar o sangue que corria nas veias e nas veias e sentir a alegria de poder auscultar e encontrar coragem suficiente o bastante que desse para medicar ... e meditei... porque não podia medicar nem mendigar migalhas de quereres inqueríveis e muito quistos na vida que estava cheia de cistos ...
Cistos que buscavam florescer câncer nas entranhas das alegrias que doíam a cada dia que passava sem que as coisas passassem ou novos passageiros passassem ou ficassem nos olhos amargos de alegria externa exterminada por dores internas internadas nas entranhas da alma ...
Resolvi, então, querer o que estava querendo e entender que o melhor querer é aquele que entende o que deve ser entendido e sentido, mesmo que vez por outra esteja adormecido ... ... ... para logo depois estar intumescido ...
... de alegrias momentâneas, dores passageiras, prazeres passageiros eternos e muita vida que fica vidando a alegria de se sentir prazer ...
É ... o tempo transforma tudo em vida, o tempo vida tudo porque, ao vidar, faz com que tudo seja visto pelo ponto de vista da vida que tem lá suas razões para fazer com que todos sejamos obrigados a desvidar ... sem dúvida: a vida tem suas razões.
E falar que essas razões são razões que a própria razão desconhece não tem nenhuma razão de ser ... é irrazoável ...
Tudo o que se quis sempre foi querer continuar querendo e quando esse querer não quer mais, a gente pensa que não quer porque quer ver que quer ... e vai continuar querendo com ti nuar.
Nuar as razões e deixá-las envergonhadas de sua nudez, de sua naturalidade despida ... desguarnecida de máscaras que sustentavam a sua razão de existir ... sempre existir ... e nunca desistir de ter o que nunca teve: razão.
Quando vemos a razão desnuda, entendemos que o inquerível é apenas aquilo que não queremos: estar só ...
E não estar só, tem seu o preço ... tem seu berço ... berço esplêndido que o sol da liberdade em raios fúlgidos brilhou no sal da pátria nesse instante ...
... e nesse instante, aquele que disse que tudo queimava e nada aquecia, tem de aquiescer ...
... e viver ... e sobreviver ... sem ter de sóbrio viver ...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Em canto isso ...

Natal, 29/07/2011.

De tudo, um nada ... de nada, que nada ... e tudo ... muito de tudo e tudo de muito pouco.
Há tempos e templos não me via por aqui. Estava lá, com muitos eus que nada sabiam e que nada queriam, mas que eu queria estar e deveria levar comigo para que consigo estivesse em mim mesmo. Estive em dor ... estivador ou em louvor, ou torpor ...
Os parcos tempos que tive, mantive-me em templo construído com esperança ... e desesperança de esperar desesperos que não vinham e de sentir a vida passar pelas veias (ou pelas véias) que transportavam sangue são em corredores escuros empurrado por um coração que batia mudo no mundo. Nos templos que construí, destituí meus próprios momentos para sentir os movimentos loucos que a vida traz para da gente ... gentei, como já disse antes ...
E agora gento comigo ... gento na esperança de poder me sentir como gentes felizes que vão consumar a sua existência vil em resistências e desistências ... senti, nesse tempo em que gentava, a energia de estar feliz, sem me saber infeliz ... e infeliz por não poder sentir-me completo, mas feliz com minha incompletude.
Passou ... quanto a mim ... passou o tempo de não me olhar de dentro para fora e não me sentir dentro e fora de mim para me analisar e me saber em mim .. em me sabor em mim ...
Esperei que tudo fosse breve – não foi. Esperei que tudo fosse brevê – não foi porque não voei ... não resvalei nas nuvens para me sentir água flutuante, não resvalei no solo para me sentir terra ardente, não me resvalei nas plantas para não me plantar naquele lugar em que estava sem mim ... ausente de eu mesmo e carente de eu mesmo ... mesmo eu!
Aqui, cá, de novo estou ... e vou estando tudo o que posso enquanto tudo o que não posso não é em mim o que posso ... porque estou poço ... poço de vazio cheio de nada que é tudo ... e com tudo o que é nada transbordando no vazio poço que seca ... que cega ...
E vamos seguindo esse silêncio de muitos gritos meus ... calados pelo grito de um nada que invade tudo ... caiados por brancas nuvens que não choram ... brancas nuvens que secam no vento e ventam a alegria de se esvair no ar ...
E assim, volto ... sem muito o que dizer, mas muito dizendo sem querer...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Queros. Queres?

Natal, 10/11/2010.

Quero ver e reverter as dores que bebo em copos amarelos em sabores de exterioridades de um eu inexistente, inconsciente, mas latente de inexistências completas de vazios cheios de nada.
Quero retesar em mim as lágrimas que vertem de olhos que olham o vazio e sentem o vazio de estar em si e de sentir o desejo de se encher de muitos eu-corações que não batem mais no mundo ... batem mudos: calados por dores e odores que sentem em todos os poros que vertem de si os prazeres silenciosos de muitos gritos abafados pelo sentido das dores que não doem, mas corroem os significados silenciosos ardentes de desejos cautelosos ... de anseios caudalosos.
Sem riscos e sem coriscos, quero transbordar silêncios vis e viris ... e poder sentir o desejo de desejar não desejar, mas correr para longe de todos os não quereres que podem se estacionar nas glândulas lagrimais de olhos que veem o invisível e obstruir a passagem das lágrimas que reteso.
Sem anseios de cumprir pena na liberdade assistida pelos olhos sociais do desprazer, quero reter-me, mas sem deter-me em incognoscíveis gritos calorosos ou ardorosos.
Sem desassossegos, quero estar estando em mim, em esferas estratosféricas de muitos sentimentos indizíveis, de muitos sentimentos invisíveis, mas sentidos em carnes cortadas por facas afiadas por palavras sem sentido, mas que produzem sentido ao serem sentidas em seus múltiplos significados.
Sem nada, quero tudo o que pode haver e tudo o que não há, quero poder criar simplesmente para poder ter o que não foi ainda criado por outros, mas que subsistem em mins afagáveis, em mins afogáveis, em mins ... mins que são múltiplos nos significados, mas únicos em significantes, assim, significantes únicos plurais.
Dizia quero, mas querer não é conjugável em primeira pessoa nesse universo de mins, deveria dizer queros, porque queros já é um plural singular. Queros é um querer de muitos consubstanciado em um único múltiplo, que de singular tem apenas a pessoa de quem emana tantos queros.
Queros tudo.
Queros tudo que tem nada.
Queros nadas que têm tudo.
Enquanto os queros vão sendo elaborados, os desqueros vão sendo eliminados por todos os outros sentidos abafados na singularidade plural do simples querer.
Mas o que queros, afinal? Queros estar aqui querendos ... morrendo aos poucos com os odores da vida que se esvai, mas não vai, porque quer mesmo é ser esvaída aos poucos, em copos amarelos iniciais, em vistas turvas finais, em vísceras intermediárias que não intermediam nada, apenas estão no meio do nada que é tudo envolvido por quase tudo.
Queros liberdade... ou mais ... quero descobrir que estar livre é estar em seus braços, cheio de abraços fracos fortes de emoções que imagino na minha mente que quer todos os queros.
Queros estar contigo ... porque queria dizer que descobri a liberdade de poder não falar o que queros, de ouvir o que não queros ... e, ainda assim,saber o que queros... ou queremos.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

em quanto isso ... em canto isso ... encanto isso.

Natal, 19/10/10.
Enquanto tudo passa, passa os quantos tantos quereres que queríamos ao longo da existência vil e vamos nos comensurando ao poucos que são incomensuráveis para nós e nos dizem coisas que não queríamos de nós mesmos saber ... mas precisamos.
Precisamos incomensuravelmente saber quem somos, onde estamos e o porquê de estarmos estando aos poucos mocos de nós mesmos, mocos pelos nós de nós ... e aos poucos cheios de nós em nós ... que desatamos com dentes vívidos e olhos ávidos pela alegria de poder não estar sendo, sem ter sido ... mas sendo assim mesmo.
Ponto final. Para quê, se as interrogações exclamam a dor de não saber de nada e querer que nada saibam de nós ou dos nós que temos em nós? Não estou atrás de pontos finais, nem depois deles porque pontos finais são sinais de fins e sou inacabado, incompleto porque sou completo de mim e de muitos mins que habitam minha consciência inconsciente das dores que sussurram palavras invisíveis aos ouvidos moços ... que ouvem e auscultam as predições de um coração que bate, forte, e sussurra gritos silenciosos de alegria aos movimentos dos nervos que exalam calor e exaltam as dores de existir ...
... e de insistir ...
insistir que tudo pode ser muito mais do que poderíamos querer ter sido, que poderíamos ter tecido ... e nos retorcemos no que, sem saber, temos insistido e assistido sermos ...
somos em quanto ... e enquanto somos, vamos subsistindo na alegria de existir e resistir. Resistir às dores e às flores que vamos colhendo pelos caminhos cujas pedras inexistem porque as transformamos em areia à beira do mar, à beira do amar ... e amamos.
amamos amenos amores
amamos amenos sabores
amamos amenos dissabores, mas
amamos, ao menos
e não amamos menos,
nem somos amenos aos sabores dos amores.
é isso que somos, somos amantes de amores não amenos, não serenos, não terrenos, somos marcianos de nós, somos nós de marcianos que habitam o verde da vida e veem a vida passar aos poucos e não a deixamos passar por nós amenamente a vida que em nós existe, que em nós insiste ... e que não precisamos desatar porque estamos a ela atados por nós invisíveis de cordas fortes que não são vocais, são vogais abertas que emprestam vida às consoantes de nossa vida .... aos consoantes de nós.
Somos difusos, somos em quantos? Somos tantos.
Tantos segredos que cercam nossos nós que vamos nos cercando de nós mesmos para podermos dizer a todos os não-nós que somos o que queremos ser e não tememos o que queremos ter e ser ou reter ou deter ou verter.
Vertemos nós ... porque é o que temos, por enquanto.
E desses por enquantos que encontramos nos caminhos de areia, ouvimos vozes que nos dão em quantos? Em muitos ... porque nos dividimos para existir para os outros e nos completamos com a divisão que de nós fazemos.
Ao dividir, multiplicamos os nós, e vamos nos desatando com outros nós que encontramos pelos caminhos sinuosos e silenciosos de nossos gritos invisíveis ... de nossas palavras intangíveis e ininteligíveis aos outros ... mas nos completamos de nós.
E o nós não são apenas os eus divididos, são os eus e tus que se associam por tempos determinados pelo não saber quanto tempo, e vamos em quantos? Em dois.
Dois que não são um porque são dois, evidentemente. É em quanto?
Em quantos?
À cântaros!
Por isso não somos amenos ... somos, ao menos, nós ...
Que temos o que merecemos,
Que desejamos querer ter sido o que somos
Que não dez esperamos, apenas esperamos dez.
Dez de alegria, desde que não sejamos só nós, mas que sejamos nós todos em dueto com a alegria de podermos dizer: somos ...
Mesmo que isso seja apenas por enquanto. Ou por encanto ... ou em canto.
Canto de nós.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O que quer dizer o que quero dizer?

Natal, 06/10/2010.
De muito do que se quer dizer, nada se pode dizer sem querer, pois o que se diz sem querer é o que se quer dizer sem poder. E, como somos seres em possibilidades de poder dizer o que queremos dizer, dizemos o que podemos ... e, aos poucos, ficamos sem dizer mais nada porque o que se diz já não condiz como que se quis.
Assim, caminhando no silêncio das palavras auscultadas pelos ouvidos mocos de corações outrora selvagens, seguimos sem dizer nada, sem querer nada, sem nada poder querer e querendo poder dizer que queremos o que quisemos, sem querer muito, ou querendo muito sem conseguir explicar os porquês dos quereres se esvaírem em cotidianidades acéfalas que organizam os eu-corações que batem no mundo ... seguimos a vida e a vida seguimos, perseguindo os quereres antigos e refletindo muitos antigos quereres retesados nas dores dos olhos tristes que sorriem lágrimas invisíveis a cada momento de despoder dizer o que se quis.
Assim, desse jeito, a vida vai levando os poucos sorrisos de alegrias ditas aos outros todos, e torna a existência uma sentença com muita subordinação, pouca coordenação e diversas adversações, ou seja, a sentença se torna sentenças e as sentenças torna-se períodos de parágrafos longos que infringem as regras do texto criado com tanta coesão na cabeça da gente que se esquece da coerência necessária à existência vil, viril, ardil e pueril que queríamos poder dizer que temos ...
... e temos
... e tememos
... e teremos
Ou, pelo menos queremos ter.
Assim, de novo, vamos tendo tempos de sorrisos invisíveis, de lágrimas transparentes que não cruzam o rosto porque sequer nascem das pálpebras cansadas de existir na subsistência de uma existência quase inexistente, mas sorridente, às vezes.
Às vezes, porém, nada disso é o que quero dizer ... às vezes quero dizer que tudo são lágrimas que transbordam das pálpebras, invadem a face e entram na boca: água salgada que rega o coração partido, bipartido, entretido ... enternecido de poucas aflições, e cansado de tantas comiserações de uma vida volátil ...
E assim, vísceras da vida recobrem sorrisos largos, afagos parcos, e aspargos amargos comidos nas refeições naturalistas de carnívoros sedentários ...
Somos assim, complicados de nos entendermos, complicados de nos enternecermos, mas cheios de vida que existe em nós ... em nós que desatamos a cada dia, para criarmos novos outros nós que vão ser, novamente, desatados .... enquanto nos desatamos da vida que queríamos poder dizer ter e nos retesamos na entrada da vida que efetivamente temos.
Digo, então, vou ainda querer dizer muito mais, mas digo que jamais deixarei de dizer que viver é assim, sem calar, calando aos poucos numa subordinação à regularidade, è regular idade que vem chegando e nos deixando cada vez mais sem saber o que dizer. Neste silêncio que grita palavras invisíveis a ouvidos mocos, grito: Tô vivo, e vou vivendo todos os momentos sem que ninguém diga que não os vivi.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Interventão: Em meios, entremeios, de eus aos meios.

Natal, 24/09/2010.
Em meio a um mar de coisas, muitas meias coisas para o mar, coisas ao meio para amar, mar de amor para amar, ou para o mar ... terá outro meio? Talvez.
De todas as coisas pelo meio que no meio de nossas vidas vão aparecendo, somos meio bobos e nos entendemos pelo meio que somos. Metades. Metades de coisas que meio queremos, meio não queremos, mas que nos colocam no meio de tudo o que há, no meio de tudo que ao mar queremos levar e que do mar queremos, pelo menos um pouco, resgatar, retratar, refratar ... somos e vamos sendo meio de metades de tudo que somos pelo meio.
Não temos como nos afastarmos de nós e nos vermos pela metade que deixamos em nós mesmos, e vamos vendo nossas metades nos tornar inteiros nos momentos de felicidade e nos tornar menos do que metades nos momentos de infelicidade, mas tudo são metades de alegrias porque as metades de infelicidade são grãos férteis em terras inférteis de um querer febril que nos torna meio inconscientes de nós meiosmos ...
Vamos sendo, então, osmose constante que irriga nossas veias meio entupidas de vícios que vamos recolhendo do meio em que vivemos. Vícios bons, vícios maus, vícios meio maus, e vícios meio bons.
Parece que pensar em vícios sempre nos dá uma impressão meio ruim. Mas isso é apenas metade da verdade em nosso meio. Há vícios que são meio maus: aqueles que nos deixam meio tristes ... vícios meio bons: aqueles que nos deixam quase meio tristes ... vícios maus: aqueles que nos fazem ver a nós mesmos como meio das dores dos outros ... e vícios bons: aqueles que nos fazem ver a nós mesmos como ruins, sem sentirmos dores de sermos ruins em nós que vamos fazendo em nós mesmos ...
Todos esses nós, aparentemente ruins, são nossos pontos de refúgio, são os locais da corda de rapel em que nos apoiamos na ribanceira da vida quando estamos no meio da vívida vida vivida ...
O amor fazedor de nós na corda da vida é o mesmo amor que nos coloca no meio de tudo. É o mesmo amor que nos enternece ao anoitecer à beira da praia observando o mar meio revolto que deita suas ondas na terra e umedece a cratera criada em nossos corações meio esburacados pelo tempo de bombear sangue para todas as veias meio entupidas ...
Somos efêmeros ... meio isso, meio aquilo ... e nada pelo meio.
Não há meio. Vamos nos completando a cada dia com as dores que sentimos e que transportamos para uma personalidade meio confusa, em meio a tantas respostas dispares, ou seja, meio razoáveis, meio loucas...
Então, não tem outro meio, vamos levando todas as coisas para o mar: não meias coisas, mas coisas ao meio, porque as esbugalhamos com nossos dedos com veias meio entupidas e que enxergamos com nossos olhos meio turvos, meio curvos .... estrábicos, olhos que sentem o vento que venta na ventania que nos levam para toda parte do imundo mundo que somos obrigados a viver meio mudos.
No silêncio de nós ao meio, gritamos: não estou ao meio, estou no meio de tudo o que há para viver, estou a viver no meio de tudo que não viverá mais do que se pode ou se deve, no meio de todo o nada que é tudo o que temos ... é nesse momento que podemos sair do meio de tudo e podemos ficar com nós inteiros.
E, inteiros de nós, ficamos no meio de todas as coisas feitas (e que construímos) para amar. No meio de eus-corações-que-batem-no-mundo, mudos de prazer por poder subsistir e dizer “Não estou ao meio, porque sou meio idiota mesmo”, sentimo-nos inteiros. Inteiras metades de nós, cheias de vós ... e muitas vezes sem voz.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Entres, queridos.

Natal, 01/09/2010.

De tudo um pouco e um pouco de tudo ronda a existência daqueles que sonham em ser o que não podem ser e de ter o que têm outros tantos e a eles, os que querem não é permitido.
Tudo, porém, é permitido àqueles que sempre souberam que queriam ser apenas aquilo que são ... e vão sendo pela vida em existência vil que sublima quaisquer outros desejos de desesperanças que desesperam pela vida que enfrentam ... há vida, porém.
Espera-se que todos os outros que cercam esses queredores saibam que eles vão querendo apenas o que podem ... e vão tendo tudo o que querem por saber querer. Não querem demais, apenas querem mais e mais ... e vão nesses mais sendo felizes com os poucos quereres conseguidos por intermédio de momentos de dores e odores que refletem as cores do sofrimento inexistente, mas latente ...
Assim é a vida dos que sabem o que querem e querem apenas o que sabem ... não de iludem com as possibilidades de novos quereres e vão apenas sobrevivendo na selva de desejos desejáveis e desejados em desterros de desafeto que afetam os poucos quereres queridos e, também, despertam o desejo de querer um pouco mais, de sobreviver um pouco mais, de subsistir um pouco mais na selva de ofertas dadas e doadas a preços exorbitantes no coração que bate no mundo, imundo ...
Mesmo assim, vida vivida e se torna lívida na entrevida dos momentos felizes que se passam com ventos que sopram na cara excrementos do sal do mar ... e cegam as vistas grossas que são obrigados a ver ... e veem...
Veem que tudo pode ser como é, simplesmente.
Veem que tudo pode ter como têm, simplesmente.
Veem que tudo não pode mudar como muda, sobejamente.
E existem ...
Existem em momentos de muitas alegrias ao lados de sorrisos inocentes e descontentes com a certeza de que os queredores apenas querem o que lhes é oferecido pelo mundo ... e não estão dispostos a pagar os impostos impostos pelos outros todos que não sabem querer e querem muito mais do que podem ou devem querer. Esses desquerem. Desquerem porque buscam perfeições nos outros queredores envelhecidos pelos percalços que calçaram durante a vida que tiveram viris e tornaram-se vis ... assim, simplesmente.
Assim, de tudo o que se pode ter, tem-se tudo o que se pode querer ... e saber querer é saber existir nessa vida em que todos querem, e poucos podem, realmente, regozijar-se com o tudo que têm quisto.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Folhas mortas no jardim do éden

Natal, 08/06/2010.
Aos poucos, as folhas que reluzem vida nos galhos das árvores e fazem sombra para a esperança se desesperam e se desesperam ... enternecem-se da luz que vai se esvaindo e apontam para o cansaço que ronda as rondas das noites ... e com elas o cansaço apronta afronta as esperanças desesperadas dos desesperados que esperam a vida não passar .... mas que passa de qualquer maneira... em passos largos que causam descompasso pelo caminho de pedras que a vida construiu á frente daqueles que se dizem esperançosos.
Assim é que, vividas de vida, se desvidam e duvidam da possibilidade de prosseguir galhos verdes colados e se descolam para beijar o chão, ainda verdes, cheias de esperança de que uma gota de orvalho as sustentem de oxigênio e hidrogênio em quantidade suficiente para não se tornarem deficientes ... ou delinquentes ou dementes ...
No chão, esperança terra, as esperanças se desesperam com a osmose que inexiste na terra que as sustentou e, agora, as suplanta ... e vão, aos poucos recebendo o sol que era luz e agora se torna chama que queima ... que arranca delas as mínimas energias que ainda contém ou detém e, por isso, sentem-se descontínuas: lascivas folhas esperançosas sem esperança de sobreviver a inexistência da água para lhe molhar as têmporas e fazer com que os temperos da vida se tornem menos amargos na subsistência vil, ao chão ... mas subsistem ou subexistem na desesperança de esperar que o desespero se desacelere e possa, aos poucos, esperar ...
Que passe:
A dor,
O rancor,
O calor,
O amor ...
E ele, o amor, continua a subsistir entre as folhas agora mortas que recobrem o solo fértil e se solidificam húmus necessário para a continuidade daquilo que foram outrora e, por magia da natureza, retornarão a ser (ou a não ser), mas serão de qualquer maneira ...
Mortas folhas no jardim do éden esperam que o tempo, que sabe passar, passe e leve a dor que seus pequenos corpos enrugados e amarronzados pela falta de água se tornem novamente folhas .... mas a dor de ter passado pela queda e ter beijado o solo que lhe negou osmose de vida existirá para a vida toda, ou para toda a vida, mas, mesmo assim, vivida.
... em doses homeopáticas.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Queria ser ...

Natal, 30/04/2010.
Queria ser livre para amar e poder não amar por ser livre. Queria ter podido experimentar o vazio e nele me deleitar ... queria ser triste e que regozijar da tristeza, na tristeza ... queria ter podido não estar onde estou e fazer o que faço ...
Queria .. queria ... queria ...
Mas deixei de querer o que, na verdade, nem cheguei a querer, pois sempre quis o que estou, onde estou, e passei a ser um querer em mim mesmo, um ser em mim mesmo ... um eu cheio de tantos outros eus que não me desencontro de mim porque estou repleto de muitos mins que me formam e transformam e deformam e reformam ... estou e sou.
Sou o que sempre quis ser e esta constatação me leva a crer na necessidade de se ser o que se quer ser sem que seres outros sejam sérios o suficiente para serem seres como eu que apenas sou ... e vou sendo o que sempre sou ... eu, repleto.
Sou aquele que é pela vida e sabe que tudo não sobrou nem foi pouco, tudo foi a exata medida da necessidade do momento de existir em que me encontrava, em que me desencontrava, em que me reconfrontava com todos os outros não-eus que não quis ... sou Ney certo e errado que divide, o que não tem duas caras e na verdade existe ... sou neys pelos mundos imundos, ou imundo no mundo mudo .. e vou mudando as molduras de gritos silenciosos que insistem em parametizar minhas existências vis e viris na cidade que é sol, e que nunca é só.
Aqui, pensando em tudo o que todos querem que eu seja, sou o que todos não querem deixar de ser, sou apenas um ser que é ...
Nãose questiona, amigo, o ser que é, pois ele apenas é a penas e apenas. É isso.
Simples como ser é estar sendo e se saber ser como ser ... como ser que sempre sente o desejo de continuar a sendo sentido ... e fica ressentido se não sente o sentido de tudo e de todos que se sentem ... de todos os que se sentam e esperam a vida passar a passos largos largados na estrada serena da vida sentida, sem sentido.
Não, assim não sou.
E vou não sendo, então, vou retesando os não-ser que me envolvem com suas serenidades e sorrio de suas amarguras e me amarguro de seus sorrisos falsos e seus olhares de soslaio para uma vida que passa ... para uma vida que embaça ... para uma vida que, neles, somente se esboça viver de vivacidade .. porque não têm sagacidade de perceber a necessidade de se adequar à idade e sentir na cidade a capacidade de se ter felicidade.
Assim, então, sou e vou sendo até que a vida me prove que deixei de ser.
Neste momento, morri. Morri para re-ser, porque não estou preparado para deixar de ser aquilo UE sempre sonhei ser: eu.
E, aqui, amigo, estamos eu e você sendo um parte do outro neste momento em que somos apenas interlocutores de nossas entranhas. Eu entranhado nas minhas, você estranhado nas suas ... mas ambos sendo ...
Esperei tempos para perceber que me entranhava de mim e me estranhava em mim ao ser o que queria poder ser ... agora, contento-me com isso. Agora entranho-me nisso .. agora, bem, agora, não tenho mais tempo de deixar de ser.
De deixar de ter
De drenar o ser para o interior de si mesmo e retesar os gritos silenciosos de meus sorrisos que largamente dou no mundo ... dou para o mundo.
Para o mundo de seres sorrio, não olho de soslaio, não tergiverso. Não.
Faço pequenos versos de mim para conjecturar contigo as necessidade de ambos, eu e você, sermos o que somos, sem nos questionar, sem nos represar em esperanças vis, em desapegos em desassossegos.
Viemos, embora não saibamos ao certo o porquê, todos os momentos de nós ... e não estamos sós, porque temos eus outros ao nosso redor. Assim, vamos, caminhemos, andemos, corramos, soframos ... e sopremos todos os males para o longe ... e deixemos as dores de lado, para abraçarmos as cores da vida ... transparente.

sábado, 10 de abril de 2010

Edificar ou é de ficar?

Natal, 10/04/10.
Não sei ao certo se questiono, tenciono ou tensiono, mas sei que tenho sono. E sonho em poder saber se com tudo que edifico, fico, ou se só fico porque edifico. O certo é que fico a edificar com todas as coisas que nunca fico porque sou fadado a edificar.
Há tempos estou a ficar e pensar no que dizer a mim mesmo sobre as coisas que tento pensar, repensar e retesar neste eu-coração que bate no mundo e espera a desesperança brotar e trazer de volta aquilo que se acostumou a conviver, a combater, a convalescer: a solidão.
Não me permito mais solidão, mas me solidifico em saber que a solidão não abandona os seres que com ela estiveram em conjunção ... ela espera, à espreita, pelo momento do retorno e se torna presente, mesmo que ausente ...
Não há mais conjunção sem solidão quando se experimenta a lenta dor, alenta cor, de se sentir à procura, à espera, à espreita ... e isso se torna uma forma de se edificar e consolidar em si a necessidade de não se sentir mais apenas em conjunção com a solidão, mas em conjugação com a solidão e com a imensidão de ilusão que a companhia fresca refresca na mente dormente de gente que simplesmente genta ...
E gentar é uma forma de edificar e de ficar com tudo que é de ficar ... é de fisgar ... é de figurar na vida de uma existência vil e viril, antes que tudo se torne anil ... e a gente que genta, barril.
Estou, então ... e vou estando até que estar se torne um edifício difícil de se reconstruir ou se reconstituir, porque a vida nos mostra que tudo é fácil de destruir ... e reconstruir, como dito, se torna algo impraticável para algumas gentes que sempre gentaram sem questionar muita gente ... especialmente gente inteligente e exigente, porque a vida torna a gente intransigente.
De fato, estou é difícil.
Difícil de me desencontrar de mim mesmo,
Difícil de me encontrar em si mesmo,
Difícil de te encontrar em mim mesmo ...
Difícil de não admitir que estou em ti,
Difícil de desistir de ti,
Difícil de desistir de mim mesmo ...
Mesmo que com isso tenha de resistir ...
Sem muito exigir.
... e vou edificando.
Edificando desejos que sempre estiveram por aqui. Edificando anseios que sempre estiveram a espreita de mim e à espera de ti.
É ... de ficando em ficando, acabei por aportar em ti para estar à espera, mar aberto, de seus navios de sorrisos infantis e brincadeiras descompromissadas, inconscientes, que tornam minha inconsciência ciência ...
... ciência que explica para o nada que tudo o que vale a pena se mostra vil no começo ... viril no começo ... e começa a formar na mente da gente a esperança de que, se ficar, poderemos edificar.
Então, me permito é ficar edificando em mim as esperanças que tive de poder ser selvagem ... e sair Pessoa de todas casas, de todas as lógicas, de todas as sacadas ... e ir ser selvagem, entre braços brandos ... palavras invisíveis que vão batendo no mundo, olhos vis e viris que vão fotografando o silêncio e dedos atrevidos que buscam nas entranhas de ti, o tato, o contato consigo mesmo ...
e encontra ...
... e nem é difícil.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Foto Grafar.

Natal, 19/01/2010.
Talvez não desesperar seja não esperar, ou esperar nada ... e continuar nadando no nada ... e fotografando perfumes que não exalam, mas se exalam, evaporando as esperanças ... talvez a vida seja pouco ou demais para mim, como diria algum Pessoa ... e, ainda, talvez o medo de vivê-la faça-me não conseguir viver ... pelo menos não como e quando se desespera.
Voltei a ficar em mim ... e a receber de mim os prazeres que os outros não-eus não podem dar, ou podem e eu não consiga receber por não saber receber ...
é isso ...
preciso fotografar o aprender e apreender suas significações sem me prender ... e me deixar render às comiserações de outros não-eus penalizados pelo meu desespero de desesperar nas horas certas e esperar nas horas erradas ...
e nesse precisar, não sou preciso o suficiente para me concentrar no nós e deixar que todos os nós se desatem e se tornem laços de ternura e de amargura, mas laços, de qualquer maneira. Laços que enlaçam vida e desenlaçam traumas vividos outrora e revividos em outras horas ...
oras! Por quê?
Por que ficar a se desesperar diante do evidente querer sem muitas cobranças, sem muitas desesperanças, sem muitas discrepâncias, exceto aquelas da idade? Por quê?
Porque a vida sempre trouxe tantos sentimentos estranhos nas entranhas que me venho entranhado desses sentimentos que não quero sentir ... me venho desatinado, desprovido daquilo que sempre pude oferecer a quem não podia merecer ... e a quem merece me sinto desmerecido de merecer ... e sou fadado a perecer na vida sem outras vidas que sopram palavras invisíveis nos ouvidos mocos que assistem ao falecer de tudo ... ao carecer de tudo ...
... e tudo sobra ou é pouco ... e eu sofro ... sofro no desejo imenso de nordestinar e dizer que sô frô que desabrocha para a vida ... desabrocha para a alegria de poder dizer que vivo a vida como sempre quis e não estou só. Só estou ... e estando vou me deleitando nos prazeres possíveis de sentir ... na alegria que invade as portas e janelas abertas deste eu-coração-que-bate-no-mundo ... e regozija .... e exala perfume às narinas que se aproximam ... e enternece os olhos que admiram a beleza de uma vida latente ... e eternece. Sim ... eternece o momento ... perpetua o momento ... e fica a admirar ... e mirar as sensações indizíveis ... e não mais fotografar, mas a foto – a do aprender – grafar nas minhas entranhas para que, jamais, nenhum tempo ou quaisquer outros elementos naturais ou artificiais sejam capazes de amarelar ... porque terei tatuado em mim o perfume de existir ... e deixar de resistir à vida, para voltar a residir na vida ... desta vez, sem travesseiros verdes vazios ao lado ... mas com verdes esperanças que podem amadurecer ...
... ou apodrecer ... quem sabe?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Estou fotografando o perfume.

Natal, 15/01/2010.
De tantos medos que habitam as profundezas do eu, encontrei uma forma de medar sem ficar me sentindo desesperado e de poder conviver com o desespero de desesperar o que sempre esperei ... é como se a vida que se esperava chegasse e pedisse para entrar ... e eu deixasse. Deixei, então.
Deixei de estar a desesperar com muito desespero, e passei a esperar que tudo o que pudesse ser vivido o fosse sem cobranças de mim mesmo e sem que a solidão ficasse à espreita, exalando seu perfume acalentador e levando-me a sentir felicidade com ela. Sei que sua presença é inerente à existência, à resistência, mas também sei que ela pode se afastar por algum tempo e deixar que outros sentimentos permitam sentir o perfume do tempo, deixando que as narinas sejam invadidas pelas palavras invisíveis de bocas sorridentes e alegres de poder ter ouvidos mocos a espreitar a esperança de se ter, de se deter e de se reter no perfume da maresia que embala as ondas que beijam a areia da praia em movimentos leves de lábios oceânicos ... de vida oceânica ... e de verbos transitivos diretos que espreitam as conjunções carnais de pessoas que vivem ...
Deixei de pedir socorro e agora só corro à procura de mais e mais alegrias arrancadas dos lóbulos das orelhas molhadas de saliva de bocas quentes que umedecem a alma de seres opostos, postos lado a lado pelo destino que desatina ...
Estou parado ... disparado.
Parado para poder sentir seu cheiro entre lençóis que recobrem o corpo moreno ... entre travesseiros jogados ao chão para dar lugar ao prazer do toque das peles que sonham estar sempre juntas em momentos de movimentos de prazer e de sombras de árvores plantadas na alma das gentes que gentam .... que sentem a necessidade de estar, apenas. Assim, vou ... sem medos de futuros que jamais chegam, simplesmente a espreitar o agora, a sentir o agora e poder retesar seus presentes com presentes de gotas de suor que alimentam o cheiro do perfume salgado do suor arrancado dos corpos que se juntam em alegres contorções na busca do prazer ... do fazer ... do lazer ... do querer e querer e querer ... Assim, vamos.
Mas não vamos embora um do outro porque somos outros em nós ... sem nós ... porque estamos, ambos, a esperar que o desespero dos opostos se postem do lado de fora dos nossos nós. Não vamos embora, embora estejamos ainda a perscrutar nossos corações que batem no mundo sem termos certeza do que se passa em cada uma das artérias que bombeiam vida em nós, que bombeiam nós em vida e nos dão vida dividida ... vida partilhada ... e, neste desespero em que nos vemos, tememos voltarmos a termos vida parte ilhada.
E que seja, então.
Que seja a gora o momento de fotografar o perfume que exala de nossos corpos reticentes um no outro ... que seja agora o momento de sentir a vida brotar dos poros umedecidos pelo suor que brota das peles ao sol ...
Será, então,
Agora o momento de se
Nadar no
Tesão e
Imergir no
Âmago do perfume do
Gosto gostoso de se poder
Ostentar o amar transitivo?
... talvez ... talvez ... e, desta vez, nada de nadar no nada, nem no nada que é tudo, porque tudo o que se quer, se quer sem que nada impeça. E quem quer, não é nunca impedido de querer, pois querer é inerente ao existir dessas pessoas que sempre querem querer ... que sempre querem poder ... e podem querer o que quiserem.
Somos, nós todos eu-corações que batem no mundo, degustadores de quereres ... e queremos tanto que temos tempo de fotografar o perfume das gotas de suor que surgem de nossos corpos enlaçados ... e, quando houver o desenlace, teremos registrado nossos momentos em nossas almas ... em nossas calmas ... e poderemos dizer que tivemos o que quisemos ... só para poder constatar que ainda estamos vivos ... e vamos, ainda assim, ladrar ao mundo de ouvidos mocos a alegria de termos estado verbos transitivos diretos, cujos objetos comjugam sem preposições ou imposições, os tempos da vida que se vive e exala o perfume da vida.
Click.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Na profundeza do mundo.

Natal, 12/01/2010.
Não te contei, mas fugi, antes, bem antes de me fortalecezer, para me fortalecer em um eu incognoscível até para mim mesmo. Presságio. Sempre presságio de esperanças que morrerão pelas minhas próprias mãos e pela inanição de meu ser diante da esperança de ser não apenas um eu, mas um nós que se pode ter e conter e deter e reter nas entranhas deste ser só a vida de alegrias com travesseiros cheios de gente ao lado que sorriem ao acordar e levar um beijo nas costas largas que carregam e suportam um mundo de esperanças e desesperos ao som de palavras invisíveis e toques cheirosos de amor sem dor.
É como se fosse uma fuga da felicidade, uma fuga movida pelo combustível do medo da alegria que se sonha a vida inteira e quando chega torna-se tão inteira que dá medo, dá desespero, dá vontade de fugir para todos os outros lugares que tenham travesseiros vazios flutuando no verde do oceano que traz em maresia a alegria de uma solidão a que se está habituado. Solidão sem botos ou brotos, sem árvores que protejam do sol ou sovacos que se possam beijar até que as axilas tornem-se pequenos copos de prazer babado ...
É como se fosse um medo da conjunção, um medo da união, um medo da multidão de sorrisos que invadem a cara dos apaixonados e se enternecem com uma visão de andar estranho e cara sem expressão, que denotam a alegria de estar-se só apenas naquele momento de andar, apenas até chegar até o carro, abrir a porta e entrar no coração que bate no mundo.
É como se a vida pedisse solidão. Mas não a quero mais, quero a conjunção de amores possíveis e de alegrias ao entardecer e ao amanhecer e ao anoitecer e ao enternecer ... e ser eterno amor em verbos transitivos, em verbos transitivos diretos, cujo objeto se une sem quaisquer preposições sem quaisquer imposições, sem ... sem ... sem ... mas com, com muito com ... com de comjunção de comjugações de verbos alegres ... de sorrisos que se enlaçam aos lábios para não permitir jamais vê-los fechados, cerrados ... comjugações de algo que se assemelha à alegria apenas porque há coisas que não há palavras em idioma nenhum para descrever ... apenas se sente e se deleita na alegria de saber que inexiste léxico para descrever sentimentos.
Uma fuga cruel ... fuga de mim e de ti. Ou de ti que vai fugir de mim porque não pode ou não sabe esperar .... e me desespera ... e posso estar fadado a ver o mundo sem fadas, apenas fardas a receber ordens sociais que desordenam a minha consciência vil ... viril.
Não fugirei ... e veremos no que vai se transformar esse desespero de medo de perder o que não se tem ... mas se tem e espera perder por saber que ninguém tem tempo para esperar ... eu mesmonão tinha ... e não posso culpar a pressa que sempre tive em outros não-eu-coração. Mas posso desesperar ... e assim estou agora, a desesperar o que sempre esperei.
Espero poder fugir dessa profundeza de mundo para alcançar a profundeza de você. A sua profundeza que vai se unir a minha para sermos um nós profundo, sem nós, apenas nós mesmos, conosco.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

É ... difício.

Natal, 08/01/2010.
E fui ... e me fortalezeci das minhas inseguranças que reviveram livres e revolveram memórias tristes de momentos que poderiam ser ainda mais felizes se não houvessem os medos a não permitir que as coisas ficassem mais firmes, mais sólidas e se solidificassem nos prazeres das emoções que entornam as lágrimas guardadas no peito ... sem chorá-las ... mas a corá-las com as luzes da alegria que as perolizam dentro do peito que arfa ... e vive.
E vivi ... vivi em ti as alegrias e os orgasmos da alma que retornam sempre que pessoas especiais se tornam reais na existência dessa pele que exala emoção, dos beijos que sussurram palavras invisíveis nos ouvidos mocos das minhas entranhas ... estranhas ... mas minhas e sempre solitárias e solidárias a minha solidão que cavo com minha incapacidade de me mostrar por inteiro porque busco alguém que me encontre, escondido. E encontro, e me escondo na esperança de poder ser encontrado sem desencontros ou desencantos que
Rasgam os
Outros
Muitos sentimentos
Indizíveis, indeléveis e
Leves que
Sempre serão
Ostrentados
Neste ser ostra.
... que serão estranhados neste ser .. que serão estravazados neste ser ... que restarão estagnados neste ser de lembranças alegres de momentos felizes que sopram vida na existência natalina de lembranças fortalezecidas ... e tidas contidas contigo.
E voltei ... voltei para lembrar de ti, para olhar o mar e ouvir sua voz ao telefone sem que as esperanças renascessem, porque não morreram ... sem que as desesperanças vivessem, porque não desespero ... espero.
Na vida, coisas são vividas e não vividas por conta do destino. Destino que não tem tino, ou tem demais e desatina a mim que espero tê-lo – o tino - e não posso ... ou o tenho por demais que me defendo de mim ao não me mostrar para ti – e para os outros poucos tis especiais que surgem pelo caminho - e me obriga a penas falar e arfar para suplantar a emoção de poder estar ao seu lado e cheirar sua alma pelos poros dos lóbulos de sua orelha que beijo, enquanto no horizonte meus olhos enxergam, por entre as pálpebras bêbadas de prazer, os pelos de sua nuca convidando minha boca ...
Embriagado de você, me reservo no medo de mim ... para não traduzir em gestos animais de gozos felizes e carnais as alegrias que a alma de um eu-coração-que-bate-no-mundo-mudo sente ao poder tocar, vivo, um ideal de alma que toca o coração e traz à vida uma esperança de um amar intransitivo, que transita pelas minhas veias e fomenta a alma com as alegrias de saber que você existe ... e não insiste, mas também não desiste ... a penas resiste aqui, a penas reside aqui ... onde constrói um edifício difícil ... e sente a alegria de saber que a vida tem dessas coisas ... que as coisas têm dessa vida.
E vive ... e revive ... e sobrevive a tudo e a todos ... sem sequer se arrepender de viver ... simplesmente porque só quer aprender a viver ... como sempre.
... é ... sei que não foi coincidência encontrar-me contigo ... não foi coincidência reencontrar-me comigo ... precisava, de verdade, de sentir a minha vida por um fio ... sentir que posso viver e reviver as emoções que só minha alma sabe explicar ... precisava poder entrar por minutos num coração com as portas arreganhadas, com as chaves por dentro ... para que a liberdade fosse gritada no silêncio das artérias que bombeavam vida a cada segundo que lá dentro estive ... a cada segundo que minhas narinas viam sua pele e minhas mãos cheiravam seu calor ... e minha alma sobrevoava nossos corpos entrelaçados no mar de meus sentimentos ... sentimentos que palavras não traduzem ... sentimentos que sente-se, apenas.
Assim, embevecido de tudo o que pude proporcionar a mim por seu intermédio, vou neste é-difício em que vivo, cujas janelas e portas são sempre mantidas abertas, para apreciar a brisa do mar que sopra alegria nesta alma que almeja apenas vida ... e pode agradecer de tê-la tido mais intensa sob o calor de seus sorrisos arrancados pela minha língua ao nadar em seu corpo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Não quero mais falar ... mas falo assim mesmo

Natal, 24/12/2009.
Tempos depois, amanhã estou de volta para o lugar que me fez encontrar meu lugar, minha fortaleza, que me conforta e me faz me sentir feliz ... completo e incerto, e sempre perto ... de mim mesmo.
Não tem jeito de não me lembrar da primeira viagem para cá, da primeira vinda de idas e vindas que me fizeram ser o nordeste que sou hoje, mais norte, mais próximo do que sempre quis, mais eu mesmo e muito menos sul, muito menos sudeste ... olho agora, de esgueio, para o norte ... e sou nordeste ... e percebo muito mais do que podia perceber quando eu estava lá ... quando você estava lá ...
Tudo o que passa na vida da gente é sempre muito passado ... fica para traz e nada pode trazer aquilo que a vida leva, sem explicar, sem dizer nada, sem se comprometer com absolutamente nada, sem deixar que ombros amigos permaneçam contigo para o resto da vida .. da sua vida, porque todas as vidas têm um fim e a dos amigos pode ser finda antes da sua ... que pena.
Relembro,
Insistente e
Carente, dos
Hojes, que agora são ontens e não
Amanhãs, são apenas
Resquícios de dias de alegrias, que trazem
Desejos de abraços fortes.
... e de penas em penas a gente vai construindo nossas asas que levam-nos para todos os lugares ícaros que queremos, ícaros que fazemos ... e não nos deixamos nos desfazer em cera derretida ao sol, porque o sol, na vida que escolhemos a dedo, está apenas para dourar a pele branca que o sudeste massacrou ... e esquentar o cérebro que o sudeste lapidou ... e trazer a alegria de lembrar dos amigos que o tempo levou ... mas que a memória deixou ficar ... deixou amar ... deixou não desesperar, nem esperar ... só se conformar ... e lembrar ...
Mas entendemos tudo ...
Agora e sempre,
Relembrarei dos
Carinhos e
Esperanças de dor que,
Lógico!
Lembro que você
Ostentava.
... mas por que ficar a misturar o que vem amanhã, o reencontro com o marco de minha mudança, com as lembranças de você, menino? Porque você também foi marco ... marco de enfrentar a mim mesmo como poderia e deveria. Marco de poder dizer ao mundo que sou o que sou porque quero ser (mesmo que nem eu mesmo saiba se isso é a inteira verdade – mas não existe verdades inteiras mesmo, como você me ensinou ... então: foda-se!). Marco de uma amizade maior do que a consanquinidade, marco de uma força que se esvaiu desse mundo fraco demais para você ... marco de uma alegria mestre, doutora, livre docente ... mestre e marco ... marco e, agora, vai você livre docente ser docente em outros campos ... e eu vou ficar por aqui ... vou lembrar de ti.
E não vou ter pena, não vou desesperar, não vou chorar ... ensinamo-nos isso ... compreendemos isso tudo como um tudo que é nada demais ... e que é, sempre, demais para nós ...
Já sei o que une esses dois pensamentos além do que já disse: a viagem. Viagem que fizeste para sempre ... viagem que faço para o sempre .... a única diferença é que eu, aqui, ainda estarei um pouco mais sempre ... e você sempre estará aqui ... no meu eu-coração que bate no mundo .. no meu eu-coração que bate imundo ... no meu eu-coração que não bate ... sussurra lembranças amigas e amáveis ... e escuta palavras duras que você dizia quando ele ainda era um eu-coração-bebê, que esperava que as coisas pudessem ser eternas enquanto duras ... e se transformou em uma pequena rocha, dura, a bater neste peito que se lembra das coisas, enternece-se, e esquece-se de amolecer ...porque durou.
A você, um abraço. A mim, um abraço ... e a nós - fortalezas em mundos distintos ... separadas pela dimensão terrena ... e unidas pela lembrança de sorrisos amargos, de amores de dores – brindes de lembranças eternas e ternas.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Enquanto a vida não passa, passo a passos largos .... e me largo.

Natal, 01/12/2009.

Sim, me largo ... mas não me largo ao léu ou ao mausoléu .. me largo aos prazeres da vida que está passando e não passa por completo porque é, em si, já completa de muitos mins em mim mesmo e me serve de alento para os momentos de desalento, e acalenta, lentamente, cada mim que em mim habita.
Assim, de completudes de mins, me vejo a olhar para os lados com olhos de prazer em cada coisa que se apresenta ... tudo encanta quanto se tem em si o prazer de poder respirar a fumaça do seu próprio cigarro só para dizer que, de passividades, nem no fumo; porque a vida exige que se seja ativo em tudo ... porque parar para olhar e chorar as lágrimas da passividade já é o prenúncio da morte, o prepúcio da morte ... e, por aqui, de morte só se quer as últimas quatro letras, que em mim, são precedidas de minha inicial e se transforma em sorte .... e nunca em corte, porque já inventaram cicatrizantes pelos divãs da existência...
Viver em completudes é ser capaz de admirar as árvores da Floriano que se juntam em copas múltiplas que se transformam em única ... copa de sobras diurnas e penumbras noturnas que servem a cada momento, para ajudar a existir neste mundo são e iluminado. De dia, sombra para o calor que invade a cidade e cozinha os miolos do povo que tem de viver a correr pelas ruas à procura de algo para fazer ou correndo do que tem de fazer ... De noite, servem de abrigo escuro para os abraços fortes dos namorados que fogem das aulas e correm as mãos pelos prazeres do corpo do outro, seja lá quem seja esse outro ... mas que é completo naquele momento ...
Assim me largo ... me largo a admirar as coisas, a reverberar as coisas que admiro e a fazer com que os outros possam olhar para os seus próprios lados sem se sentirem desolados ou idolatrados, apenas gente .. gente que sente a vida e quer que ela seja tão viva quanto se pode ser ... tão alegre quanto se pode ter ... tão muda quanto se pode ouvir ... assim, desconexamente reconvexa de coisas di e convergentes ... coisas que são simples, porque simplificadas pela realidade que bateu à porta e esclareceu todas as dificuldades ...
Me largo, por certo, aqui, nessas palavras que se grudam à tela do computador e por ela se projetam para o mundo dos olhos daqueles que lêem e pouco entendem ... que sequer entendem que estar aqui, passando o tempo comigo, já é uma forma de estar consigo mesmo porque tudo o que aqui grita é reflexo do que você gostaria que gritasse aí, dentro de seu coração comandado por um cérebro corroído de vícios de todos os outros não-você que você permitiu que lhe invadisse a alma ... e lhe tirasse a calma...
Então, não me largo ... me alargo em você para te alagar de você mesmo ... e fazer com que os vocês sejam apenas vocês compostos de poucos outros, mas outros tantos vocês que se fizeram presentes em cada momento de dor que te compõe... e te recompõe ...
Como vê ... aqui a vida não passa ... o que passa são as coisas que querem roubar de mim o dom de existir ... e como vou sempre resistir a qualquer desistência da vida ... chamo a residir em mim – e em ti – a essência de viver a passos largos ... e se largar no mundo, que alarga a alma ... e traz, na sombra das árvores, a calma ... e as mãos a correr pelos corpos de todos os outros que não são nós mesmos ... são apenas pequenos outros a nos dar o prazer que merecemos ....
... e queremos ....
... e temos ...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Tá vindo devagar ... e eu, a divagar

Natal, 28/10/2009.

De solidão em solidão, percebo a solidez da solicitude da saudade de um tempo em que a vida tinha outros travesseiros ocupados ao lado que, de tão ocupados, deixavam um vazio da presença ausente de alguém que não sabia me conhecer porque não se conhecia, apenas vivia a vida a me mirar e admirar as coisas que fazia sem saber o porquê ... e sem perquntar ...
E me lembro do tempo em que chegou um momento que me cansei de tanta presença ausente que desistir de presenciar tanta falta de tudo o que tinha ... e me viro para os lados para tentar perceber que a vida pode ser presente presente, sem ausências, mesmo que ausente ... e reflito.
Reflito sobre a possibilidade de ocupar a solidão vaga que hospedou-se em mim há tempos e passo a buscar os tempos em que as lembranças se lembravam de coisas que aconteciam com mais presença, com mais saudade, com mais intensidade, com menos idade e me pergunto.
Pergunto o porquê de se pensar em pensar na possibilidade de trocar as saudades do que se tem e substituir pela saudade do que se queria ter, e tem, mas ausente porque distante por muitos quilômetros que se transformam em instantes de distantes desejos presos na solidão de uma alegria da saudade que origina uma intensa sensação de tensão e de emoção e de tesão que não se resolve com as mãos, mas com as mãos nas mãos e, neste instante, reflito por que pergunto se sei que a resposta a qualquer pergunta depende dos instantes que virão de longe ... ou não ... e duvido.
Duvido que virá, que poderá, que virará, que ficará ... ou, até mesmo, duvido que será ... porque ser ou não ser depende de um querer que não sei se quero, ma quero querer porque sei o quanto se quer sentir saudade de presença ausente, mais do que de solidão ausente porque presente em mim estou .. porque presente em mim restou ...
... e, de certa forma, espero esse presente.
E me presenteio com a perspectiva de que a presença ausente pode ser o meu presente que sinto presente, ou minto estar presente ...
... não importa ... estou aqui, presente em mim e ausente em ti, ausente em mim e presente em ti, ou ambos, presentes um no outro e ausentes em cada qual porque distantes em estados diferentes, em vidas divergentes ... ou convergentes ...
Tudo está devagar ... o tempo está devagar, o vento está devagar, a vida devagar, a loucura devagar, a emoção devagar ... e eu a divagar ...
... porque não tenho pressa ...E você, se tiver, esteja presente... porque não ando devagar ... nem a divagar por muito tempo ...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

E agora? ... É agora!

Natal, 23/10/2009.
É agora que a vida bate à porta e aporta em nosso porto de solidão uma vida que se sente vívida e não sabe que não vive pela vividez de sua cegueira por si e pelos outros que quer em si em momentos muitos, que espera mútuos, e descansa na paz de saber que está com outro no colo que aporta em outros tantos colos insanos de amor inexistente e felicidade existente em solidão partilhada consigo mesmo ....
E agora?
Agora, nada ... e tudo em nada ... e nada em tudo ... e um pouco de tudo que nada no mar salgado das ilusões que se perderam no meio do caminho em momentos de olhares para frente do retrovisor que mira a estrada atrás, detrás de alegrias de dias felizes com imensas solidões em livros perdidos de teorias tesas ....
Agora, e? Não, agora é! É hora de perceber que a vida de solidão é tão boa que qualquer outro que resolva invadir a sua plenitude solitária (e solidária) será imerso em total insignificância de resumos de telefonemas inócuos em momentos nos quais a vida impera ... e não espera, porque criou esporas e defende-se com elas .. sem penas envelhecidas, mas com plenas e velhas cismas de que tudo é efêmero e, das efemeridades, se desfaz com olhares visíveis a olhos nus, que olham os nus que na praia se vestem de pequenas peças que cobrem as partes pequenas, amenas ... que são descobertas com imaginação e fruição de prazeres dos olhos, porta da alma, que se abrem a cada instante incessante de alegria de estar a ver o que a vida permite ... e da vida não se omite.
Estou, de volta, aqui, com saudades de estar comigo mesmo nesse espaço público no qual publico tudo o que não posso publicar em minhas palavras orais ... porque não tenho público que escute ...
Estou, aqui, às voltas com um pensamento insano de estar comigo, de novo, renovado de esperanças de poder expressar a alegria de não ser compreendido por tantos outros que não sabem, ao certo, o que é pressuposto ou subentendido nos olhares que lanço em momento que me dá vontade de lançar diante de tanta pouca criatividade nas pessoas que criam as atividades e dessas atividades se tornam escravos ...
Estou, aqui, de volta para mim e para todos os que em me veem sem me ver, que sentem sem me sentir, dos quais não me ressinto ... porque de ressentimentos não vivo ... vivo de sentimentos ...
E o que sinto, agora? Não sei. E não me importo.
Não me importo porque me tornei meu porto .... e aporto em mim todas as sensações de sentir-me importante para mim mesmo ... e se você não se importa, não me importo de novo, porque posso importar todas as sensações que quero sentir e posso, ainda, senti-las em mim sem que a vida me cobre sorrisos falsos ou dores travestidas de alegrias ou quaisquer alegorias que muitos outros insistem em revestir-se ... Não me revisto.
Revisto a vida e revisito as almas com as quais partilhei solidões compartilhadas e sorrio de tantas tolices importantes, importadas de uma sociedade que não se importa comigo ... com a qual me importo na exata medida de suas possíveis respostas ao que realmente me importa.
É agora que, felizmente, sei que a vida, que tanto quis, está aqui ... não serei eu quem precisará perguntar-lhe: “E agora?”. Já sei a resposta. Está, em mim, posta: “eu, agora, não estou brincando de ilha ... nem estou ilhado .... porque estou aqui ... num oceano de deliciosas dúvidas a respeito do que fazer.”
E farei ... agora!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Par? Impar? Não! Bar, Embar!

Natal, 17/07/2009.

Chegamos. Chegamos a um momento em que o outro não é mais um outro que nos suporta, mas que aporta em nós e não nos deixa deixar o porto por pressuposto de que estamos felizes... felizes juntos fazendo pratos e esperando as vitaminas das refeições serem vitaminas da alma que irrigam o coração cansado de estar estando sem estar e está à procura de não estar com nada que não seja sua artéria entupida de fumaça de cigarros fumados nos bares que paramos perto e longe dos portos que aportamos ao longo de nossa história de solidões compartilhadas e de multidões parte ilhadas em sis que se disseram nós em momentos de elucubrações inócuas que inoculavam as dores da solidão que agora adoramos...
.... E então, fazemos o quê?
Esperamos que este outro se torne de outros e nos deixe viver a vida vívida e límpida de uma alma que se quer acompanhada solteira nos dias de semana que servem para vitaminar o coração hipertenso para os tensos dias de finais de semana intensos e tesos de tesão e de retesação de emoções singulares e diálogos entre o eu e o eu mesmo ...
...ou, então ...
Lembramos de momentos em que a vida era solidão em travesseiros verdes de esperança esperando, calados, em camas frias e vazias em que fazíamos amor conosco e sentíamos o pesar de estar amando um um inseparável de nós: o eu ... e amando e querendo que outros outros se candidatassem à vaga do travesseiro verde de esperança ao lado, prostrado e amassado e cansado de abraços que lhe dávamos em momentos de desespero de corpo ... de desespero de alma ... e de tédio da calma solitária que agora desejamos intensamente ...
... éramos cheios de nós e de nós e nós esperávamos estar cheios deste outro que agora nos enche ...
Somos estranhos ... mas ainda somos entranhas ... e entramos nas vidas de outros e queremos viver a vida de nosotros ... tornamo-nos, nós, os outros de nós mesmos ... mas continuamos ...
... continuamos indecisos, ou decididos a sermos ermos de nós e sermos de outro ...
e servos de nossa dúvida na vida vívida que escolhemos viver intensamente e, assim, intencionamos não criar tensão ... porque temos tesão demais pela vida...
... e vivemo-la de bar em bar, de par em par, de lar em lar ...
e voltamos para casa, felinos felizes que encontraram na vida a explicação para as dúvidas de viver ... ímpar.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Um outro olhar de outro ... ou não ...

Natal, 30/06/2009.

Assim .... coincidentemente, se coincidem coisas coincidentes em acidentes internéticos herméticos ... Na cela do computador, uma perspectiva de gente que genta as coisas e pensa que gentar é apenas estar a espera de gentes que possam passar pela vida e ficar ou ir ou esperar ou espelhar, mas estar na vida de qualquer forma, sem fôrma ... e sem estar, exatamente, em forma ....
apenas estando, sem estar a penas .... e sem penas ... porque penas não são aparados que fazem o corpo voar, mas a alma voar para distantes espaços de dores, sem cores ...
Falamos ... simples. Inteligência, simples. Palavras, simples.
Mas falamos de qualquer forma e continuamos a pensar nossas vidas em perspectivas iguais, bilaterais, e continuamos a nos teclar com dedos sem desespero, com dedos que dedilhavam palavras vis, sutis ... e viris, às vezes.
Temos em comum a esperança de não esperar mais do que podemos ter e de termos mais do que esperamos .... e continuamos a esperar as coisas acontecerem sem tecer noites a fio colchas helênicas a espera de amores em cavalos brancos e castelos encantados ....
... encantamo-nos de mesmices ... encantamo-nos de estar vivendo uma vida sem separar, sem se parar ... sem se deparar... deparar com estranhices que já se tornaram comuns e conhecidas ... e, por isso, deixaram de serem estranhas porque adentraram nossas entranhas e nos tornaram assim, pacíficos.
Crescemos ... e continuamos a existir em vidas de escolhas feitas pela experiência adquirida na escola da vida, na vida em escolas, na escolha de escolas de vida que vivemos a perder de vista ... mas sem perder a vista.
Gostamos de individualidades, de estar conosco às vezes, de estar apenas às vezes conosco ... mas de podermos escolher quando as individualidades serão dualidades, sem dualismos ... porque as individualidades são oportunidades de obtermos a reclusão necessária para manter-nos com nossos pensamentos .... e pensamos ....
... pensamos em estar na vida com uma alma calma à mão ... com um corpo calmo à mão ... com uma mão calma no corpo ... com uma mão calma na alma que pede corpo e alma e espera a junção numa imanação de prazer que pode existir a despeito do desrespeito que existe e ronda as almas e invade os corpos de tantas almas por aí vivendo ... que vi vindo ... e indo ... e desestando comigo e contigo ... desestando com nós ... e desatando nós ....
Crescer é assim .... poder dizer: “ei, não to com pressa ...”
... pois a pressa, expressa na inexperiência de almas amargas em corpos jovens ... pois a pressa, impressa nos corpos, traduz almas embargadas ... e corpos com petições extensas, com petições intensas ... e desejos breves, fadadas a sentenças condenatórias de reclusão em nosocômios instalados a céu aberto nas ruas e bares da cidade.
Não ... não tenho pressa .... não temos pressa ... porque gentamos, outros tantos outros, assim, simplesmente.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

No news is no good news ... not always …

Natal, 10/06/2009.

Assim … silêncio pode ser silêncio de dor, de calor, de horror, de terror, de temor, de tudo e de nada ... ou apenas silêncio ... ou silêncio a penas ...
Nem sempre estamos na fissura de mostrar nossas fissuras porque o povo nem sabe o que é, mesmo, estar na fissura ...
Na fissura de amigos, que mesmo distantes não distam tanto quanto distanciam os presentes ausentes,
Na fissura de poesia, que não tem nem rima nem métrica, mas que pode ser metriculosamente poética na sua irregularidade,
Na fissura de não ter fissuras, que são crateras abertas nos quelomas deixados pelas fissuras expostas que foram em nós postas (ou impostas) pelas escolhas feitas em momentos de fissuras do coração que invadiram o cérebro e deixaram a alma fissurada em sei lá o que,
Na fissura de maresia , que entra e sai mar forçando a água a transformar-se em espuma para lavar as praias água salgada e verter alegria na brisa que exala o mar e entra narina adentro dos povos que sonham em maresiar na vida ... e vivem das maresias de sonhos que não realizam porque enjoam com a maresia da sua própria existência ...
Não ... não sabe. E, se sabe, nem sabe que sabe porque não tem tempo ...
Não tem tempo para amar, nem para o mar ...
... esperam a vida passar olhando as alegrias dos rostos dos povos que enfrentam a vida diariamente nos metrôs cheios a maresiar sobre os trilhos que olham as raízes dos prédios pedindo um pouco de ar ....
... e silenciam ...
... e pensam em frustrações ... e se esquecem das frutações ...
Frutações que trouxeram com a alegria de sorrisos infantes sem dentes as expensas de mães que amamentam a vida de outro sem se preocupar com os retornos, porque aprendeu-os inexistentes, compreendeu-os inexistentes ... e esperam a rotina que espelha na retina um futuro de novas experiências salubres (ou salobras), mas ainda assim experiências ...
... e silenciam ao conscientizar-se do silêncio que ecoa em ouvidos mocos as esperanças desesperadas, mas, ainda assim, esperadas...
É assim .. complexo, convexo, conexo, desconexo, reconvexo ... é vida.
Vida que surge e apaga dores de noites em claro (claro!) na busca de abraços fortes, de amores fortes .. de fortes amores sem dores ... que vêm para suportar o mundo antes escanchado nos ombros que suportavam o mundo imundo de vidas vazias e noites vazias e corações vazios ...
Não mais ...
Agora é assim ... nada está igual ... o que antes estava vazio, cheio está: vida.
Agora é assim ... nada está igual ... o que antes estava cheio, vazio está: no money ...
E daí?
Sei não...
Só sei que, ao olhar para os lados e sentir a vida pulsar ...
E sentir o pulso vidar ... sorrio ...
E lembro do tempo em que festejavam os dias dos meus anos e ninguém estava morto ... e não os quero de volta ... porque, naquele tempo, eu estava morto. Estávamos mortos e pensávamos na vida dos outros vivos, porque não vivíamos ... sobrevivíamos.....
E agora, no silêncio que não traz good news, entendo que todas as good news que silencio são a essência de minha existência nesta vida silenciosa ... e grito para mim mesmo em Pessoa Álvara:
NO DIA TRISTE o meu coração mais triste que o dia ...
Obrigações morais e civis?
Complexidade de deveres, de conseqüências?
Não, nada ...
O dia triste ... a pouca vontade para tudo ...
Nada ...

Outros viajam (também viajei), outros estão ao sol
(Também estive ao sol, ou supus que estive),
Todos têm razão, ou vida, ou ignorância simétrica,
Vaidade, alegria e sociabilidade,
E emigram para voltar, ou para não voltar,
Em navios que os transportam simplesmente.
Não sentem o que há de morte em toda a partida,
De mistério em toda chegada,
De horrível em todo o novo ...

Eu não ... eu sinto ... mesmo que silencie, sinto.
Sinto muito se sentir o pesar do hoje pode dar a alguns uma saudade de um futuro de sonhos, de conto de fadas, de contos de enfados ...
Não me enfado mais ... vivo o hoje, regozijo-me dos meus presentes, todos futuros de um passado enfadado ... e fadado a ser passado.
É hoje. Estou vivo ...
... e vivo a esperar silêncios de amigos amados, de amigos amargos ...
que afago com braços fortes e calores de tetascomaguadecoco,
que afogo em tergiversações de tezentosesessentagraus,
que apego aqui e acolá em justamenteumalindamaiganuncaausente,
e digo:
Silêncio! Quero ouvir com meus ouvidos mocos os gritos mudos de todos aqueles que se lembram de mim nas dores de seus momentos presentes ... mesmo que ausentes ...
Porque estar aqui, não é apenas respirar a brisa que vem do mar salgado,mas poder verter para todos os silêncios que gritam um pouco da brisa que sopro ...... e se não trouxestes a chave, não importa, abro-me sozinho para ti

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Tão só, não só. E só.

Natal, 27/05/2009.

Aqui, parado, ganhando peso, peso as emoções pesadas e os pesares pensados e sentidos em momentos de penar. E peno. Peno a existência plena de um ser intransitivo que se encontra alagado de si e alargado de seus conflitos finitos e seus desejos infinitos de findar o que não se finda, porque fenda ... e continuo.
Continuo a caminhar feliz nas águas que deitam-se no solo e insistem em não penetrar a terra para deixar os pés sentir apenas a areia da praia, a terra das ruas, o asfalto quente ... e respiro o vapor exalado de sua conjunção com o sol que nasce logo após tornarem-se vapor as lágrimas da chuva que inundaram a cidade e deixaram poças de água em todos os cantos ... e canto.
Canto o prazer de existir e insistir na existência plena de uma alegria plantada em solo fértil, cultivada por palavras no divã e por comprimidos no estômago vazio de emoções e cheio de lamentações gordurosas recebidas do calor das comidas quentes que insisto em ingerir ... e gero.
Gero esperanças de vida e de prazer que já sinto apenas em pensar que aqui estou, que aqui sou ... e que aqui vou morrer deixando todos os amigos que reuni para assistir ao meu velório ... e velo.
Velo a presença ausente de justamenteumalindaamiganuncaausente, que se foi de corpo e ficou de alma, calma ... e acalmo-me nos braços e abraços que vou colhendo pelo caminho que percorro ... e corro.
Corro à procura de mais e mais eus presentes, de mais e mais eus ausentes, de mais e mais eus que sentem a esperança de estar feliz apenas consigo ... e sigo.
Sigo a cavalgar todos os leões que se apresentam pelo caminho e a colher todas as flores que vejo refletidas nos retrovisores de uma vida sempre reta ... e paro.
Paro para colher os frutos da vida que plantei ... e cheirar as flores que colho a cada quilômetro rodado nesta estrada que me pus à frente ... que se põe a minha frente e que adoro ver e verter dela a existência alegre de uma vida plena ... cá estou, de novo, eu.
Eu-coração que não sofre mais porque entendeu as idiossincrasias da vida e tergiversa pouco aos problemas que aparecem ... e não sonha com amores impossíveis, mas vive todos os amores possíveis, porque são possíveis e prossilvio, graças a Oxalá.
Sonhei, um dia, viver um grande amor na minha vida, descobri, com o tempo que os grandes amores são tão grandes quanto os problemas que trazem ... desisti, então. Desisti não dos amores, mas dos problemas ...
Passei a amar uma vida grande de amores menores, de dores menores, mas não de cores menores. Adoto para mim, há tempos, uma vida de calmaria, de paz ... e nela passo a incluir amores que me dão o que mereço, que me dão o que apreço, que me dão o que não são apenas adereços, mas endereços fixos ... e neles me fixo para seguir feliz ao lado de sorrisos largos ... e sigo meu caminho de braços dados e jamais cruzados ... e cruzo.
Cruzo a fronteira da emoção para buscar na razão a razão de uma emoção ... e encontro. Encontro a vida sorrindo, e sorrio para ela. Gargalhamos juntos a existência de eus-corações que se completam em emoções plenas, em emoções planas, em emoções sanas, que se desenvolvem em abraços quentes, em palavras líquidas e calores propagados pela osmose alcançada no encontro de línguas que se procuram nos momentos de carinho ... de palavras que se consolam nos momentos de solidão, de cheiros que se misturam nos momentos de retidão .... e exalam prazeres ocultos nos momentos de tesão ... e refletem a paz que se encontra em viver momentos reais de amores possíveis e plausíveis ... e de fantasias realizáveis nos cantos e encantos da casa ... e caso.
Caso comigo. Porque só eu consigo me entender e entendo que entender é mais do que ouvir, é mais do que querer, é mais do que desejar ... entender é perceber o outro e não lhe cobrar o que se entende ser certo, porque o seu certo é incerto para o outro, simplesmente porque o outro é o outro ... e não um outro você.
E isso não traz solidão, como pensam os outros tantos outros que, por não serem um outro você, não entendem; traz solidificação ... e me solidifico na consciência de que não estar só é estar acompanhado de si mesmo ... e de outros que possam respeitar e entender que um ser só, não é um ser só qualquer ... um ser só, pode ser um ser que é o que todos gostariam de ser: só ele, mas pleno, que não busca se completar, porque se sente completo, só. Busca complementar ... e aí sim, o só pode tornar-se melhor, porque complementado por outros eus-corações que entendem a solidão do outro, respeitam-na ... e buscam complementar a completude com adereços brilhantes, sorrisos brancos revestidos de peles morenas, beijos calorosos e abraços apertados embalados pela razão de se entender a emoção de viver assim, a dois, só.

domingo, 29 de março de 2009

Instâncias e entrâncias de eus.

Natal, 29/03/2009.

E eus e eus e eus. Reencontram-nos em nossos próprios momentos de quereres singulares e ausências plurais de pessoas singulares. Daí, restamo-nos nós mesmos em nós e sós. Tudo bem.
Crescemos e aprendemos que queremos outros tantos outros que outros tantos outros desesperam-nos em ausências ... crescemos mais e nem queremos tanto tantos outros ... ainda que queiramos, queremos, apenas e não mais a penas ... porque bastamo-nos conosco .... sentimo-nos completos de nós mesmos e restamo-nos sós conformados, confortados (ou controlados) em eus-corações cheios de esperança, de desesperança, de crença, de descrença ... e vamos seguindo nosso caminho conosco.
Olhamos para trás e não sentimos mais saudades ou comiserações de nossas infantilidades adultas ou adúlteras ... seguimos conosco e buscamos convoscos sem tempo de pensar em ausências plenas ... porque queremos mais ... e sabemos que seremos mais ...
Amamos e descobrimos, com o tempo, que amar é um verbo intransitivo, que sonhar é um verbo intransitivo, que desejar é um verbo intransitivo ... e tornamo-nos nós mesmos intransitivos ....
Instamo-nos na intransitividade de nossos eus e nos tornamos transitivos indiretos a todos os outros tantos outros que em outros tantos momentos esperávamos transitivos diretos ... não ... não nos queremos sem preposições a permitir que qualquer objeto se junte a nós ... também não mais nos queremos verbos de ligação, não estamos mais juntando predicados aos sujeitos ... somos, nós mesmos, sujeitos cheios de predicados ... predicados que nos fazem ver a manhã e ficar triste ... porque somos conscientes de nós mesmos, de vós mesmos ... e de tudo ... de tantos tudos que recolhemos pelos caminhos que passamos .... de tantos momentos de interstícios de nós que desejamo-nos sós ... e vamos nós sós sóis de nós mesmos ...
No máximo, entendemos os satélites ... satélites que orbitam em torno de umbigos sem abrigo ... de planetas perdidos nas órbitas de egos entumescidos pela imaginação fétida de gentes ausentes de tudo ... e repletas de nadas que lhes tornam completudes de nada que nada valem ... e continuam andar em seus oceanos de imaginação fútil ... de camisetas pagas em prestações ... e de vidas de ostentações: vazios reluzentes de marcas aparentes e gentes ausentes de gente, em seios de leite empedrado ... de leite tornado azeite mirrado nos úberes de homens insanos ...
É ... volto-me para mim, parnamirim, e redescubro-me só. E não tenho pena de mim .... e não compadeço de minha solidão .... porque sou assim: solo ... solo fértil onde germinam árvores frondosas que esperam, paradas e caladas, brisas quentes que soprem palavras úmidas em abraços ternos e eternos ... solo de onde brota a água que o alimenta, e vivo assim, osmose em mim .... em instâncias intransitivas de desejos transitivos diretos, retos.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Lacunas cheias de ausências presentes

Natal, 18/02/2009.

Não é preciso estar presente para saber que é presente ... não é preciso estar aqui para saber que aqui está ... porque a presença é ausência ... e a ausência, presente de estar ausente e presente sem estar .... Estamos.
Estamos porque não é preciso que nos vejamos para que saibamos que somos o que somos nos momentos em que queremos estar sendo, mesmo sem ter sido, porque somo tecido ... tecidos ... tecidos tecidos por outras tantas coisas não nós, que somos sem sabermos .. somos apenas o que somos e nos queremos sendo o que pensamos que somos pra todos os outros que não são nós ... que não nos são ... que são, a penas ...
Nós, não ... nem somos a penas nem apenas, somo-nos .... porque somamo-nos e nos sabemos adição de outros nós, multiplicação de nós que sabemos ser e não somos porque sabemos ...
Somos complexos .. graças à Deus ... graças adeus ... e nos damos à Deus e adeus ateus, porque nos entendemos nos nossos desentendimentos, nos nossos dez entediamentos .. . nos nossos entes diamantes ... de amantes .... porque nos entendiamos de nós mesmos e nos queremos sós .... ou só nos queremos (não sabemos) ...
Estamos, ambos, nos revisitando e nos encontrando com pedaços de nós que sequer sabíamos existir, que sequer sabíamos insistir ... que sequer sabíamos resistir ... e vamos vivendo nossas vidas sem que nos cobremos os anseios de amizades razas, de amizades sem asas .. porque somos amizade de asas ... amizade de azes ...
Somos o que somos e o que sabemos ser e não queremos mais do que isso ... queremos apenas ser o que podemos ser nos momentos em que ser não é a questão, nos momentos em que ser não é o que são, nos momentos em que ser é estar sendo sem ter sido, sem tecido ... sem ter de ser tecido, porque somos pedaços de linhas sobrepostas num crochê de cobres vibrantes que nós mesmos traçamos nos caminhos da mesa de jantar ... nos caminhos da vida de estar ... nos carinhos da vida de nos estirar nos estiramentos da vida de carinhos esticados como um tapete vermelho pelo qual passamos ...
... pelo qual paz somos ...
E nos queremos em paz ...
Não ... não sinto saudade de você ... porque você não deixou de estar aqui .... porque não deixou de estar a si ... e isto é o que importa ... e isto é o que empresta ...
... é que in-presta ... mesmo que em frestas de momentos roubados de formas turvas de outros desconhecidos presentes e ausentes, mas sempre presentes de pedaços de você ... porque você é sempre pré-ente ... premente .... e presente, mesmo que ausente ....
Sente? Sem ti?
... não ... com ti ....
... porque estar ao seu lado não é estar atrelado ... ou estar atolado ... é simplesmente estar .... e vamos, ambos, estar estando ... porque estamos no estado de estar ... e estamos conosco em momentos mil ... em movimentos ...
movimentos que fazemos em torno de nós mesmos ... movimentos que fazemos sem nós .... porque os nós estão sendo desatados ... estão sendo dez atados ... e por todos os laços e nós que nos damos nos atrelamos a nossos desesperados nós solitários de outrora, que agora são nós solidários .. solidários aos nossos outros tantos nós dos quais nos sentíamos desatados ... desatemo-nos, então, de todos os nós atados, e nos atemos aos nossos nós ...
porque, como sabemos,
Jamais seremos
Uma única pessoa
Louca ou
Insana
A vagar
No mundo .... ou no
Amor ... ou na dor ...
... ou na ninfa de uma única flor ... não importa ...
Somos, sempre,
Impressões
Loucas e
Vagas de
Intenções
Outras ...
.. e somos nós ... nós de nós mesmos ....
e, aos outros, que carecem de uma presença física, de uma voz ao telefone, de um rufar de trombones .... nossos pêsames ...
Não sabem, por certo ... o que têm por perto ...
... azar deles ... que são riscos vazios de água e cheios de terra seca... nós, ao contrário,
somos rios ... e deixamos nosso leito ...
feito.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Três cervejas, duas taças de vinho e uma lágrima seca depois ...

Natal, 31/01/2009.

Bebi. Fumei. E não chorei. Não derramei lágrimas porque elas inexistem hoje, elas não insistem hoje .... não dá para chorar porque não há razão, não há vazão .... há, apenas, penas de parcas vidas que se aproximam e se vão, que se apaziguam de minhas palavras surdas e que se comiseram de si ... palavras que dizem o indizível, o intangível, o ininteligível ....
... palavras que consolam ... que consomem ... que expressam o que você quer que elas expressam, porque inexistem sem ti .... saem de mim e ganham o universo que subsiste em ti ... falam a ti o que eu jamais quis dizer ... o que eu jamais fui capaz de dizer ... porque são suas ... porque são nuas ... e caminham pelas ruas de seu cérebro desorientadas ... caminham pelo significado que você dá a elas ... caminham ... e encontram você na busca de você mesmo ... e te significam o que jamais significaram .... ou sempre significaram e ninguém pode lê-las com você as leu .... como você ateu ...
... ateu dos significados, ateu dos dicionários, ateu .... ate até de eu ...
estar vivo é isso .. é poder pegar uma cerveja, duas cervejas, duas cervejas .... e sentir a cevada ser levada para as entranhas de si e buscar no cérebro as respostas ás perguntas não feitas ... as pergunta afeitas ...
é poder pegar uma taça de vinha barato e sorver o sangue das uvas receber o prazer de pensar em câmera lenta ... e lembrar que há palavras úmidas que falam nada no ouvido de surdos ... nos ouvidos absurdos .... e nas me mentes dementes absortas em momentos de palavras molhadas que umedecem a alma seca de momentos vivos ... de momento vividos ... de vividos momentos de lamentos ... de excrementos ...
e continua ....
continua porque parar para olhar para retrovisores de matas desmatadas, de natas desnatadas é dar tempo ao não-tempo .... é esperar e desesperar e penar .... então, continua sem dar conta de que as coisas podem não-acontecer ... e deixa que aconteçam a seu tempo ....
afinal, o tempo se rói com inveja de mim, porque sabe passar e eu não sei.... e não quero saber ...
passar para que? Passar para quem?
Sem saber, então, não passarei ... ficarei aqui, pedaços de muitos eus e não-eus que se completam em sis consistentes, insistentes ... e nunca desistentes ...
Ficarei .... fincarei ...
Ficarei aqui e fincarei em mim todos os desejos desejáveis que desejei neste desjejum de poucos tus que significam ... que signos ficam ... que signos enfincam ....
Ficarei ... ou não ...
Porque ficar ou enfincar é uma escolha .... é uma escola .. é uma cola ... que desola porque respeita as coisas que não merecem respeito ... que não podem tornar a vida mais bela .... que tornam a vida mais velha ...
É assim ... escolhas ...
Escolhemos viver ou não ... sofrer ou não .. amar ou não .... e vamos vivendo as nossas escolhas feitas em momentos de poucas possibilidades .... porque não somos capazes de nos adiantar as nossas experiências ... somos obrigados a respeitar as ciência que nos foi apresentada, que nos foi aposentada ... e vivemos nossa existência de insaberes ... de insabores ....
... insalubres ...
porque tudo é irreal se não se sente ... tudo é nada .. e o nada é tudo no nada .... e vamos vivendo nosso tudo que nada na vida que escolhemos para nós mesmos .... ou na vida que encolhemos para nós mesmos ... mas a nossa única vida ...
que tem de ser vivida sem que outras vidas nela inferfiram ... sem que outras vidas nela inter-firam ....
vamos caminhando no nosso caminho ... no nosso carinho .... e vamos .... conosco ... convosco ... com tosco ...
porque, como sabemos ... caminhar é preciso ... e é preciso carinhar nos caminhos que caminhamos .... mesmo que os carinhos sejam carinhos em nós mesmos ... porque de tudo na vida uma coisa é certa: caminhamos conosco ... e os não-eus são passageiros ... e nós .... eternos ... e ternos,
ao menos conosco mesmos .... e com nossas lágrimas secas ...

e a vida com ti, nua.

Natal, 31/01/2009.

Nua, desnuda de todas as vontades indesejáveis que assolam a alma dos desejosos indesejáveis .. e com ti nua, a vida, a ferida, a despedida ... Despedi-me de ti sem falar ... não era preciso .... muito havia em mim para fazer comigo que o contigo tornou-se insipiente ... e voltei para mim ... e me reconheci feliz na existência plena de uma pessoa serena: eu mesmo.
Aqui não tem mais espaço para lacunas ... preencho-me comigo mesmo as lacunas que deixam em mim ... e vivo a existência plena de alguém que consegue viver consigo e não se divorciar ... porque não há tempo.
Não há tempo para sofrer vazios ou interstícios ... não há tempo para brigas ou intrigas, apenas para entregas ... e entrego-me ao meu destino escolhido jamais tolhido ... porque estou para mim mesmo integral ... internal ... infernal ... invernal ....
Estou em mim comigo e sigo meu castigo que intrigo e não brigo ...
Fico a espreita de momentos de mim mesmo que sentem a necessidade de extravasar e verter vida na brisa quente que sopra o mar em meu rosto ... nas cavidades de minha alma ... e exala alegria nos sorrisos que dou ... nos sorrisos que vou ... nos sorrisos que estou ....
E vou estando mais e mais ... para nunca des-estar ou desestabilizar ... porque vivo o que quis viver ... e fico feliz por isso.
Há tempos não sei o que é sofrer sem compreender ... sofro e compreendo o porquê de meu sofrer .. por isso sofro pouco ... sofro parco ... resultado dos cabelos brancos que cobrem uma alma sonhadora ... uma alma que anseia e deseja ... e não desespera, porque espera sem comiserações ... sem pensar que as coisas acabam por si .... por que as coisas não acabam ... o que acaba é a nossa visão sobre elas ... a nossa impressão sobre elas, a nossa expressão sobre elas ...
Hoje estou assim, dez orientado ... orientado para mim mesmo, sem tempo para palavras vazias, sem tempo para palavras azias ... sem tempo para o que não me encaminhe para mim mesmo ... estou em mim, a penas.
Queria poder dividir com quaisquer não-eus este anseio de vida .. gostaria de poder ter aqui com quem partilhar este eu de interstícios negados, mas regados ....e porque regados crescentes nas entranhas estranhas de mim ... mas tenho a mim apenas.
E isso basta ... e isso bosta.
Na verdade, não espero que nada aconteça, não desespero acontecimentos, apenas vivo-os quando aparecem ... e desvivo-os quando desaparecem ... porque eu continuo .... preciso continuar ... já que não posso com ti nuar .... nuo-me comigo ... e vou seguindo os passos que me guiam nos caminhos escolhidos há tempos ... e sigo feliz .... ou não ...
Apenas sigo ... vou caminhando e encontrando pessoas, encontrando pesos, encontrando presos ... seres presos em outros seres .... seres que tentam desprender-se e não conseguem ... e vão se matando pelos poros dos outros ...
... e eu não ...
Eu ... estou aqui, onde sempre quis estar ... e estou prestes a encontrar com outros pedaços de mim que abandonei no caminho que percorri ... estou prestes a encontrar com outros pedaços de ti que deixaste pelos caminhos que percorreu .... e me unirei aos pedaços de nós simbioticamente para retornar a mim .... não quero os pedaços ... quero o preenchimentos dos interstícios com os pedaços, com os percalços ....
E me entornarei em mim .... preenchendo-me de mim e de pedaços de tantos não-eus caminhantes ... e caminharei eu cheio de pedaços incompletos de não-eus que me completam ... que me repletam ....
... e serei o que sempre fui: eu, complexo, conexo, convexo .... e reconvexo.
Porque com ti nuamos ... eu ... e a vida que vive em mim.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Que sou eu sem tu? Eu, oras!


Natal, 20/01/2009.

A passos largos, largo no espaço os descompassos por que passo ... e vou ... vou para lugares em que estou comigo e sinto em mim o abrigo amigo de amigos que encontro por onde repasso ... e sigo com destino incógnito, mas sigo ... e jamais persigo.
Sou como qualquer coisa que se sente só e vive alegre na solidão que lhe cabe, que lhe cobre ... e assim se descobre.
Descobre que viver é ter interstícios, é sentir a vontade de continuar vivendo e poder realizar as vontades da vida que vive .... e sobrevive a todos e a tudo, porque viver é uma necessidade, uma ansiedade ... uma sobriedade,
ou não,
porque viver é também ter vontade de morrer, de fugir, de gritar, de se refugiar e si e se proteger de todo o bem que o mundo pode causar ...
e de todo o mal que o bem trazido pode causar ... mas, mesmo assim, continuar a respirar o ar em brisas quentes entre palavras úmidas e toques quentes na pele eriçada ...
Assim, vivo e revivo, a cada momento, os momentos nos quais parar era uma necessidade ... e continuar, uma obrigação.
Em alguns momentos, parei. E pude perceber que parar é também estar a caminho, é estar à procura de mais, é poder olhar à volta e dar a volta no olhar para sentir-se completo, repleto ... e poder dizer: parei, porque quis. Quis e fiz, portanto, pare de querer parar as minhas paradas. Elas são parte do meu caminho rumo ao meu destino ... sigo, então, parando nas paragens paráveis ... e sigo seguindo nas estradas ao longo do caminho.
Em outros, obriguei-me a continuar sem querer continuar ... mas continuei assim mesmo para poder sentir que seguir me levaria a outras paragens mais paráveis do que aquelas que deixava para trás ....
... e lá estavam elas ... e lá estão elas ... e lá estarão elas. Paradas, a minha espera.
Espero, então, caminhando, que as novas paragens se aproximem, que se ponham a minha frente e me façam parar de caminhar para poder olhar para o caminho e sentir o carinho de estar parado ... e seguindo .. e parado ... e seguindo ... mas sem jamais seguir parado. Porque a vida urge ... e o caminho é de pedra ... de pedras que me protegem da lama em que poderia me atolar.
Não me atolo, me atrelo. Atrelo-me a meus valores e calores, a meus amores e dores, a meus odores e sabores ... e sigo sinestésico nos caminhos que escolho ... e não me encolho, porque não tenho tempo.
Estou, então, aqui, a pensar que está na hora de querer mais e mais, de deixar de se contentar com fragmentos silenciosos de outros não-eus do caminho que hirto sigo, que hirto persigo ... e vou caminhando ereto por todos os eus que me habitam.
Você se foi e eu me enchi de mim, tornei-me repleto de mim mesmo e, assim, estou, novamente eu para todos os não-você que surgirem. Tem muito mais de mim aqui para viver do que tivera outrora ...
... estou, de novo, novo em mim. E sigo inovando os eus e todos os sentimentos que sinto existirem em mim ... sigo eu comigo, de mãos ao vento, soltas, libertas ... à espera de outras mãos que nelas peguem para seguirem todas juntas rumo ao destino incógnito, mas destino de mais de um, destino de eus e tus, não-eus, que sintonizam a vida na mesma estação, que pegam o mesmo trem e seguem trilhos paralelos ...
... estou, de novo, esperança ...
que bom! Estou me reconhecendo em mim ... estou me reconvencendo em mim ... e sorrio para mim mesmo.
Afinal, é bom voltar para casa e perceber que ela não está vazia, porque sou inquilino de mim mesmo, de novo.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Chega de momentos ...

Natal, 10/01/2009.

Não sabe, você, o quanto te quero ... o quanto te espero ... o quanto te desespero ... não, não sabe ... ainda bem, porque só assim, sem saber, poderás decidir sua vida por ti, por suas próprias razões, por suas próprias emoções, por suas próprias noções ... por você apenas ... e por mim, a penas.
Sai de casa à procura de tantos vocês que nem sei explicar ... sai de casa à caça de mais vocês que me fizessem mais eu em você: não encontrei, claro! E, no âmago de meu eu solitário, devo confessar que fiquei feliz por não encontrar nenhum você em ninguém que não você você , porque você não é ninguém, você é você e me faz eu em mim sem você, eu em mim na sua ausência de mim .. eu em mim mesmo sem você, que te deseja mais do que deseja a solidão ...
É, você substitui na sua ausência presente a solidão que me acompanha há tempos, você substitui o vazio que me faz inteiro, e me faz completo de ausência de ti ... e de esperança de presença de ti ... e de desesperança de encontros com vocês que na são você, porque você não é plural, é singular de um desejo meu que não aflorava há algum tempo, que não me desesperava há algum tempo ... você, libra, é minha moeda que sobrepuja as cotações das bolsas, que sobrepuja as dores de ausências presentes e de presenças ausentes de eus sem ti em mim solitário ... e não mais solidário, porque a solidão esvaeceu a solidariedade para transformá-la em solitariedade ... e eu não gostei disso ....
Lembrei-me de ti em muitos momentos que não deveria .... lembrei-me de ti em muitos momentos que não poderia ... e fiquei feliz por poder lembrar do que tive por alguns momentos finitos na realidade ... e infinitos na minha memória rasa de poucos agádês, todos ocupados pelos pedaços de ti que roubo para mim ... pedaços de ti que roubo para abastecer minha alma de esperança e desesperança ... pedaços de ti que ganho nos interstícios de seus compromissos firmados por alianças prateadas que invejo ...
Que saudade ... que vontade de ter-te ao meu lado com seu sorriso rabbit, com sua pequena alegria, com sua pequena expressão de cumplicidade arrancada por várias palavras supostamente sábias adquiridas pelos intervalos de meus cabelos brancos que branqueiam minha existência nesta terra natalina que amo ... que escolhi ... e que me sustenta, a despeito de ti .. a despeito de mim .. a despeito de minha desesperança de ter-me contigo ou com outros tigos que possam igualar-me a mim contigo ... e realizar em meus poros a satisfaça de não questionar, de não esperar, de não desesperar ... numa tentativa sórdida de respeitar o outro como gostaria que respeitassem a mim mesmo ...
Neste tempo em que você se apossou de mim, muitas oportunidades tive de poder te esquecer, de poder me enternecer de outros braços que me queriam tanto quanto quero os teus ... e tudo foi em vão ... e tudo foi em nãos ... e tudo foi em vãos de mim sem ti, de mim que desejava que todas as completudes que se me apresentassem fossem mais pedaços de ti que eu juntaria para formar-te inteiramente meu ....
... em vão ...
... em nãos ... que pena ...
Percebo que o dia já nasceu, que o sol já grita lá fora a sua presença e reforça a ausência de você aqui, a ausência de você em mim... a abstinência de mim sem ti .... de mim solitário nesta manhã que me acorda sem que eu tenha sequer adormecido, nesta manhã que me diz que é tempo de tentar te esquecer .. que é tempo de deixar as portas entreabertas para todos os outros lacanianos que me tornam eu completo, que me fazem compreender que esperar-te é desesperar-me ... e que me lembram das alegrias e vicissitudes de poder sentir-me completo pelo desejo do outro ... e incompleto por outro desejo. Pura contradição, pura contra adição ... pura subtração de mim mesmo .... pura vontade de aditar a sua ausência com presença eterna momentânea ...
Libra, venha para o prato ao lado e me deixe ser equi libra, me deixe ser intercalações de eu mesmo em mim ... ou vá embora e me deixe recuperar-me balança, que balança ao sabor do vento e espera nada ...
Porque esperar por ti, é desesperar por mim ... é sentir-me incompleto ... é sentir-me incerto ... é sentir-me intervalos de lembranças e esperanças desesperadas de muitos eus-corações que batem, mudos, no mundo ...
... e gritam o desejo de falar palavras líquidas em beijos umedecidos pela certeza da ausência iminente .... e gritam o desespero de não te querer longe .... de não me querer longe ... de não poder sequer olhar pela fresta da porta entreaberta para todos os outros não tus que se apresentam ... mas permitem-me sonhar que não tus serão capazes de roubar-lhe a chave de minha porta, enfiá-la na fechadura, abri-la e dizer: ei, eu trouxe a chave e, a partir de agora, seus ombros não mais suportam o mundo .... seus ombros, ao meu lado, doravante, se portam no mundo ... e nós nos descomportaremos neste mundo ... porque somos um do outro ...
Neste dia, que espero não estar longe, poderei dizer que fui feliz e sabia ... que sou feliz e sei ... e que sei que serei feliz ... e levarei na minha memória a recordação de meu desejo de ti ... e não mais te desesperarei, porque já terei a minha espera, a espera de um eu completo que se completa em não tu ... e recorda-se do momento em que perguntara-lhe: “Tu, trouxeste a chave?”
... e não obteve resposta ....
e se obrigou a ter a chave reposta ...
... e se limitou a te respeitar desespeitando-me .... e se cansou ...
...e se casou ... e se castrou ...
... e teve como companhia a solidão inseparável ... a solidão insuportável ... sem jamais ter escarrado nas bocas que beija .... simplesmente por entender que, embora o beijo seja a véspera do escarro ... não há escarro que apague o beijo dado na véspera ... o beijo dado na espera de uma eternidade.
Lembre-se, criança, de que toda a minha desesperança reside na necessidade de esperar que você se desespere e corra para meus braços ... para meus passos .... para meus laços ...
... e se entrelace em mim para que possamos, juntos, caminhar a passos largos, de braços dados, rumo aos nossos corações inquilinos um do outro ... e jamais inquiridos um pelo outro ... porque desesperamos ... e aceitamos a parte do todo que nos cabe ... porque aceitamos o outro com suas idiossincrasias sem hipocrisias ... porque entendemos que o tempo, senhor da razão, sabe passar ... e nós também.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

De momentos, movimentos ... que o vento leva ... e traz.

Natal, 08/01/2009.

Somos assim, de momentos e movimentos, de esperanças e desesperanças, de crenças e descrenças ... e de nós, aos pedaços.
Pedaços de eus e tus que se desnudam no sabor da alegria, na acidez da partida e da insensatez das razões do coração, meu coração ... que espera, dormindo espera ... e se desespera de quando em quando ... ao saber que aos poucos vai-se perdendo o que se pretende ao lado, o que se deseja intensamente e que se sente ausente, mas presente na alma. E a alma é efêmera, intangível ... sou, também, intangível, ininteligível ... não me importo.
Cansei de querer me entender e de querer saber todas as coisas, só quero as coisas, saber sobre elas não me basta, não me resolve, tê-las, sim. Tê-las-ei, então, aos pedaços, aos percalços e serei feliz com a parte que me cabe, com o porte que me cabe, com a morte que não me cabe, porque não morro ... corro ... corro de ti e para ti, corro para entender o que não quero entender, por isso corro para desentender ... e me sentir tender em você, tenro em você .. terno em você ... e ver seu sorriso roubado nas cócegas que lhe faço, e ver sua alegria e introspecção ... sua presença e sua ausência ...
Presença que me completa, ausência que me torna incompleto em ti, mas completo em mim mesmo ... completo-me com sua presença e ausência ... alimento-me de uma desesperança dada pelo coração que não é partido, não é dilacerado ... é apenas coração, com quelomas que registram os momentos em que sangrou e se curou ... quelomas formados pelas emoções da alma que rompem o corpo pelo coração ... dilatando-o e tornando-o ainda maior em emoções tão intangíveis quanto a alma que expele prazer pela pele que toca seu peito ... pelas mãos que acariciam sua barriga, pelos lábios que beijam suas nádegas desnudas em momentos de descontração ... e pelos seus lábios que tocam os meus enquanto as línguas conversam silenciosamente prazer eterno de minutos finitos ... que se findam .... infelizmente.
Rever-te é estar um pouco mais vivo, um pouco mais frágil, um pouco mais ágil ... frágil em perceber minha alegria em ter-te por perto ... ágil por saber que ter-te por perto é algo incerto ... mas certo é deixar-te perto ... sim ... isso é certo, e vou acertando as presenças sem pensar nas ausências ... deixo-as para seu próprio momento, deixo-as ausente do meu presente porque não as quero maculando o que me revive ... não quero antecipar o que não se deve antecipar ... Quero apenas ... e vivo a penas ... penas que junto e faço uma asa .. e outra asa ... e sou Ícaro que sobe aos céus para descobrir-se derretendo ao calor do sol ... e cai ....
Mas eu não caio na terra, caio no mar e sou abraçado por Odoiá que me transporta em sua placenta de água salgada para a beira da praia, onde aproveito o sol que me derrubou e agradeço pela alegria de ter estado voando ... e acaloro-me de lembranças quentes, tórridas ... e vivo a alegria de saber que amar é um verbo intransitivo.
E transito na sua intransitividade, sinto-o verborrágico e sem regência ... e rejo-me eu mesmo de intransitividades minhas ... de insensatezes incomensuráveis de eu mesmo em mim querendo dizer que estou ti e eu ... estamos ... eu e eu-em-ti ... ou ti em mim, sei lá ...
Só sei que, ao transitar pelo seu corpo, ao sentir-me em seus braços ... estou eu mesmo: sozinho, mas contigo ausente ao meu lado ... e isso basta ... por ora ...
E quanto a você? Não sei ao certo ... talvez um dia saberemos, ambos, o sabor que temos um para o outro ... ou não ...
Um dia, você volta.
Um dia, eu volto ...
e seremos intransitivos ... mas ambos objetos diretos de ambos ... e o vento guiará nossos movimentos em todos os momentos...
Até que alguém diga: chega, um momento ... daí entenderemos que somos nós mesmos os predicativos de nosso sujeito, que, como um rio, corre água doce para dar no mar salgado ... no nível do mar ... no nível do ar.